sábado, abril 22, 2017

Carolina Maria de Jesus, favelada e negra é uma das grande escritora do nosso país

Carolina Maria de Jesus (1914-1977) nasceu em SacramentoMinas Gerais, numa comunidade rural onde seus pais eram meeiros. Moradora da favela do Canindézona norte de São Paulo, ela trabalhava como catadora e registrava o cotidiano da comunidade em cadernos que encontrava no lixo. Ela é considerada uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil.
Aos sete anos, a mãe de Carolina forçou-a a frequentar a escola depois que a esposa de um rico fazendeiro decidiu pagar os estudos dela e de outras crianças pobres do bairro. Carolina parou de frequentar a escola no segundo ano, mas aprendeu a ler e a escrever. A mãe de Carolina tinha dois filhos ilegítimos, o que ocasionou sua expulsão da Igreja Católica quando ainda era jovem. No entanto, ao longo da vida, ela foi uma católica devota, mesmo nunca tendo sido readmitida na congregação. Em seu diário, Carolina muitas vezes faz referências religiosas.
Em 1937, sua mãe morreu e ela se viu impelida a migrar para a metrópole de São Paulo. Carolina construiu sua própria casa, usando madeira, lata, papelão e qualquer coisa que pudesse encontrar. Ela saía todas as noites para coletar papel, a fim de conseguir dinheiro para sustentar a família.
Quando encontrava revistas e cadernos antigos, guardava-os para escrever em suas folhas. Começou a escrever sobre seu dia-a-dia, sobre como era morar na favela. Isto aborrecia seus vizinhos, que não eram alfabetizados, e por isso se sentiam desconfortáveis por vê-la sempre escrevendo, ainda mais sobre eles.
Carolina mudou-se para a capital paulista em 1947, num momento em que surgiam as primeiras favelas na cidade. Apesar do pouco estudo, tendo cursado apenas as séries iniciais do primário, ela reunia em casa mais de 20 cadernos com testemunhos sobre o cotidiano da favela, um dos quais deu origem ao livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, publicado em 1960. Após o lançamento, seguiram-se três edições, com um total de 100 mil exemplares vendidos, tradução para 13 idiomas e vendas em mais de 40 países.
Teve vários envolvimentos amorosos quando jovem, mas sempre se recusou a casar-se por ter presenciado muitos casos de violência doméstica. Preferiu permanecer solteira. Cada um dos seus três filhos era de um pai diferente, sendo um deles um homem rico e branco. Em seu diário, ela detalha o cotidiano dos moradores da favela e, sem rodeios, descreve os fatos políticos e sociais que via. Ela escreve sobre como a pobreza e o desespero podem levar pessoas boas a trair seus princípios simplesmente para assim conseguir comida para si e suas famílias.
O diário de Carolina Maria de Jesus foi publicado em agosto de 1960. Ela foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, em abril de 1958. Dantas cobria a abertura de um pequeno parque municipal. Imediatamente após a cerimônia, uma gangue de rua chegou e reivindicou a área, perseguindo as crianças. Dantas viu Carolina de pé na beira do local gritando "Saiam ou eu vou colocar vocês no meu livro!" Os intrusos partiram. Dantas perguntou o que ela queria dizer com aquilo. Ela se mostrou tímida no início, mas levou-o até o seu barraco e mostrou-lhe tudo. Ele pediu uma amostra pequena e correu para o jornal. A história de Carolina "eletrizou a cidade" e, em 1960, Quarto de Despejo, foi publicado.
A tiragem inicial de 10 mil exemplares se esgotou em uma semana (segundo a Wikipédia em inglês, foram trinta mil cópias vendidas nos primeiros três dias). Seu diário foi traduzido para treze idiomas e tornou-se um best-seller na América do Norte e na Europa. Mas não foram somente fama e publicidade que Carolina ganhou com a publicação de seu diário: despertou também o desprezo e a hostilidade de seus vizinhos, pois, em seu livro, Carolina fala das dificuldades e amarguras da vida na favela. "Você escreveu coisas ruins sobre mim, você fez pior do que eu fiz", gritou um vizinho bêbado. Chamavam-a de prostituta negra, que havia se tornado rica por escrever sobre a favela, mas que se recusava a compartilhar o dinheiro. Muitas pessoas jogavam pedras e penicos cheios nela e em seus filhos. A raiva dos vizinhos também teria sido motivada pela mudança de endereço de Carolina, para uma casa de tijolos nos subúrbios, o que foi possível com os ganhos iniciais da publicação. Vizinhos se juntaram ao redor do caminhão de mudança e não a deixavam partir.
A filha de Carolina, Vera Eunice, hoje professora, contou, em entrevista, que sua mãe aspirava a se tornar cantora e atriz.[1]
Carolina Maria de Jesus morreu em 1977 de insuficiência respiratória, aos 62 anos, pobre e esquecida.
Carolina jamais se resignou às condições impostas pela classe social a qual pertencia. Em uma vizinhança com alto nível de analfabetismo, saber escrever era uma conquista excepcional. Um dos temas abordados em seu diário foram as pessoas do seu entorno. A autora descrevia a si mesma como alguém muito diferente dos outros favelados, e afirmava “que detestava os demais negros da sua classe social”.[carece de fontes]
Ao ver muitas pessoas do seu círculo social sucumbirem às drogasálcool, prostituição, violência e roubo, Carolina lutou para se manter fiel à escrita, e aos filhos, a quem sustentava com latas de comida e roupa que encontrava no lixo, além de vender lixo reciclável. Parte do papel que recolhia era guardado para poder continuar escrevendo.
Escreveu e publicou alguns livros após Quarto de Despejo, porém sem muito sucesso. Seu auge e decadência como figura pública foram fugazes. Isso possivelmente ocorreu devido à sua personalidade forte, que a afastava de muita gente, além da drástica mudança no panorama político brasileiro, a partir do Golpe de Estado no Brasil em 1964, que marginalizaria qualquer manifestação popular.
Além disso, Carolina também escreveu poemascontos e diários breves, embora estes nunca tenham sido publicados. A edição de 1977 do Jornal do Brasil trazia, no obituário da autora, comentários sobre ela supostamente se culpar por não ter sabido aproveitar a sua breve fama, e afirmava que ela havia morrido pobre devido à sua teimosia. Sua história, contudo, continua relevante para a compreensão da condição de vida nas favelas brasileiras da época.
Seu livro foi amplamente lido, tanto na Europa ocidental capitalista e nos Estados Unidos, como nos países do bloco socialista, o chamado bloco oriental e Cuba.
Para o ocidente liberal, seu primeiro livro retratava um sistema cruel e corrupto reforçado durante séculos por ideais colonizadores presentes nas dinâmicas sociais da população, onde o Estado não atuava da maneira correta para reparar tais erros. Já para os leitores comunistas, suas histórias representavam perfeitamente como o Estado se mostrou falho ao longo dos anos no Brasil, colocando em xeque se o mesmo é capaz de organizar as relações sócio-econômicas presentes no dia a dia.
Fonte:Wikipédia, a enciclopédia livre.
Fonte: Universidade Livre Feminista




sexta-feira, abril 21, 2017

Grupo promove empoderamento de mulheres por meio da literatura

Por: Maria Anna Leal do Portal FolhaPE 
Atuando pelas redes sociais, grupo de amigas conseguiu chamar atenção do público cuja participação tem superado as expectativas
No mês em que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, celebrado nesta quarta-feira (8), é importante lembrar da participação das mulheres em todos os ambientes, inclusive nos das artes. Na literatura, um grupo vem se destacando exatamente na leitura de autoras: “O Leia Mulheres”. Nesta semana o segmento de Recife tem um encontro marcado na quinta-feira (9), por volta das 19h30, discutindo a obra “O livro das semelhanças”, no edifício Texas, que fica na rua Rosário da Boa Vista, no bairro da Boa Vista.

O clube de leitura “Leia Mulheres”, que incentiva o debate sobre as escritoras e suas obras, vem crescendo e atraindo mais leitores para os encontros mensais. O projeto  começou com apenas três amigas e já possui cerca de 60 mulheres discutindo sobre literatura, feminismo e representatividade em e 20 estados e 40 cidades do país, dentre elas Recife.

Atuando pelas redes sociais, o grupo conseguiu chamar a atenção do público cuja participação tem superado as expectativas. “A receptividade tem sido ótima, os grupos de leitura têm sido mistos com presença de homens também”, afirmou Carolina Morais uma das mediadoras do Leia Mulheres Recife.

O foco nas mulheres nasceu quando as idealizadoras Juliana Gomes, Michelle Henriques e Juliana Leuenroth analisaram quantas escritoras eram lidas por ano em comparação aos autores “Começou com a análise de que mesmo nós, que lemos muito, não líamos muitas autoras, nem 50% dos livros lidos no ano eram de autoras”, contou Juliana Gomes.

Pensando em mudar o quadro, o grupo surgiu não só encorajando a leitura, mas também proporcionando debates e quebrando tabus sobre as escritoras e a mulher no mercado editorial. “A iniciativa não tem apenas um caráter literário, mas político. Somos feministas, sabemos o lugar secundário que as mulheres ocupam em muitos setores da sociedade, e isso não é diferente na literatura. Quantos livros de mulheres são lidos nas faculdades de letras, quantos mestrados e doutorados abordam o trabalho de mulheres? Nem precisamos reafirmar que é um total absurdo ainda convivermos com essa realidade, então vamos no caminho da ação, que é chamar as pessoas para ler e debater livros escritos por mulheres”, explicou Carolina Morais.

“Usamos pouco a palavra “feminino” por justamente não haver o termo ‘literatura masculina’. Hoje as mulheres ocupam posições importantes dentro do editorial mas ainda precisamos questionar o menor número de autoras publicadas bem como de mediadoras em eventos literários”, completa Michelle Henriques.

Os livros abordados pelo clube são escolhidos de diferentes formas, normalmente pelas redes sociais ou por votação ao final dos encontros. Os interessados em participar precisam conferir os horários e os locais dos encontros referentes à sua cidade pelas redes sociais, onde as integrantes do grupo estão postando atualizações diariamente.

É um projeto que promete não apenas desconstruir estereótipos, mas também criar uma nova realidade, gradativamente, onde as mulheres sejam mais lidas, representadas e respeitadas. “Então acho que nossa contribuição é essa: trazer a questão à baila por meio de uma ação que nos leve efetivamente a ler e debater livros escritos por mulheres”, explicou Carolina. “Algumas pessoas podem dizer: mas se fecham o grupo sobre o nicho “mulheres” não estão criando uma coisa excludente? Sim, estamos nos fechando, mas porque precisamos nos fortalecer. Se o mercado está preocupado apenas em vender e manter a roda girando, cabe a nós tentarmos mudar esse discurso e criar novos embates e discussões”, concluiu.
Fundadoras e mediadoras do Cclube: a primeira – Juliana Gomes, a segunda – Michelle Henriques e a terceira – Juliana LeuenrothFoto: Divulgação/Leia Mulheres


terça-feira, março 21, 2017

Quebrando Paradigmas - Empoderamento das Mulheres nas Relações de Gênero

Tchau modelos, olá mulheres poderosas:  o calendário Pirelli como você nunca viu.

Nada de modelos sensuais na edição do calendário 2016 da fabricante de pneus Pirelli. Pela primeira vez em 53 anos, a marca decidiu quebrar paradigmas.


São 13 mulheres de notáveis conquistas profissionais, sociais, culturais, esportivas e artísticas, escolhidas por suas carreiras inspiradoras, por suas realizações e que são exemplo de empoderamento.


A responsabilidade de retratar essa mudança no conceito do calendário ficou nas mãos da fotógrafa Annie Leibovitz.


“Eu queria que as imagens mostrassem as mulheres exatamente como elas são, sem nenhuma pretensão”, explicou a fotógrafa.


Confira o resultado das fotos.


Janeiro: Natalia Vodianova


Natalia é modelo, apresentadora e fundadora da Naked Heart Foundation, organização que apoia famílias que têm crianças com necessidades especiais na Rússia.


Ela entende bem esse universo, pois sua irmã Oksana tem autismo e paralisia cerebral.









Fevereiro: Kathleen Kennedy



Kathleen é produtora norte-americana de cinema e presidente da Lucasfilm. Com mais de 60 trabalhos realizados, tem 120 indicações ao Oscar. Entre as suas produções estão Star Wars, E.T. e a franquia Jurassic Park.

Março: Agnes Gund

Agnes é presidente emérita do Museu de Arte Moderna de Nova York e filantropa.


Desde 2011, ela integra o Conselho Nacional de Artes dos Estados Unidos à convite do presidente Barack Obama.


Na foto, Agnes está com sua neta Sadie.
Abril: Serena Williams

Serena Williams é considerada a terceira maior campeã da história do esporte e segundo Associação Feminina de Tênis, a melhor tenista do mundo.













Maio: Fran Lebowitz




Quando foi chamada para fazer parte da série de fotos do calendário, a escritora americana de 65 anos achou que fosse um trote.


Afinal, a marca Pirelli saiu totalmente do padrão de suas publicações.






Junho: Mellody Hobson



Mellody Hobinson de 46 anos, é presidente do grupo Ariel Investments e integra o conselho diretor dos estúdios Dreamworks.


Esta mulher inspirou inclusive a personagem Coutney Page da série The Good Wife, uma CEO poderosa e influente.









Julho: Ava DuVernay



Ava foi a primeira mulher negra a ganhar o prêmio de Melhor Diretora no Festival de Sundance com Middle of Nowhere, de 2012.


Ela também foi a primeira diretora negra a ser indicada para um Globo de Ouro e para o Oscar com o filme Selma.








Agosto: Tavi Gevinson

 

Tavi tem apenas 19 anos e já apareceu na lista da revista Forbes de personalidades mais influentes antes dos 30 anos em 2011 e 2012.

E a revista Time a considerou uma das 25 jovens mais influentes do mundo em 2014.

Toda essa notoriedade se deve pelo blog de moda e comportamento Style Rookie iniciado quando ela tinha apenas 12 anos. Hoje, o blog é uma revista sobre cultura pop e feminismo
Setembro: Shirin Neshat
A artista visual iraniana de 58 anos tem exibições que já rodaram o mundo. Os filmes e séries de fotos de Neshat problematizam a posição da mulher muçulmana.
Ela já recebeu prêmios por seu trabalho e foi jurada do 63° Festival de Cinema de Berlim, em 2013.











Outubro: Yoko Ono


Ainda hoje é possível que muitas pessoas não conheçam o trabalho artístico de Yoko Ono. Em 1971, John Lennon já afirmava que ela era uma “das mais famosas artistas desconhecidas do mundo”.
As obras de arte da artista plástica de 82 anos, são marcadas pela vanguarda e pelas provocações. Ela também é uma figura singular no mundo da música e nos movimentos feministas e de paz.










Novembro: Patti Smith



De acordo com a revista Rolling Stone, Patti Smith é uma das maiores cantoras, poetisas e compositoras norte-americanas e a 47° maior artista de todos os tempos.

A cantora de 68 anos é conhecida pelo ativismo político libertário, posicionando-se, por exemplo, contra a guerra do Iraque.

“Não faço ideia de como o público tradicional vai receber isso, mas acho que eles devem admirar essa mudança ousada. Vamos ver.”, disse Patti Smith em entrevista para a revista Vogue.




Dezembro: Amy Schumer



Amy Schumer é uma comediante norte-americana de 34 anos, que ganhou destaque com a série Inside Amy Schumer em que é protagonista, criadora e roteirista.


Na série, que é uma mistura de programa de enquetes e stand up, ela brinca com o papel da mulher na sociedade e os padrões de comportamento.


A comediante foi indicada em sete categorias do Emmy Awards em 2015 e ganhou o prêmio de Melhor Programa de Esquetes.


A primeira página



A atriz Yao Chen é a primeira chinesa a estampar a capa do calendário Pirelli, de acordo com o site People’s Daily. Ela foi escolhida pelo fato de usar sua influência para falar de assuntos importantes.


Yao é a primeira chinesa Embaixadora da Boa Vontade do Alto Comissariado da ONU para refugiados.

Mulheres incríveis

A proposta foi alcançada com êxito: mulheres incríveis, fortes e inspiradoras, que passam a mensagem de empoderamento, pois têm em destaque suas realizações em vez de seus corpos.
Um detalhe, porém, é que somente clientes importantes da Pirelli ou celebridades irão ganhar esse calendário de brinde.

O que você achou dessa edição do calendário Pirelli 2016? Compartilhe com os seus amigos.

Fonte: Awebic
 

Meninas vivenciando uma nova relação de gênero



Fonte: Facebook Ildeu Moreira 

segunda-feira, novembro 21, 2016

A cantora Elza Soares Vence GRAMMY Latino - 2016

Elza Soares, a maravilhosa cantora brasileira,  vence o Grammy Latino, na categoria de melhor album de música popular brasileira, com o seu disco "A Mulher do Fim do Mundo".

A cerimônia foi realizada na T Mobile Arena, em Las Vegas, na última quinta-feira em 17/11/2016. Em seu depoimento, onde mostra toda sua felicidade pelo prêmio recebido,  e ela faz, também, um agradecimento à toda a equipe que participou da realização do disco como vê-se   transcrito  abaixo:


"Catatônica estou!
Primeiro disco de inéditas. Suspeitava que algo de muito grande fosse acontecer, mas... o Grammy Latino? Minha gente...Esse prêmio acaba sendo um reconhecimento do trabalho de muita gente também... Lógico! É como se todo o discurso do disco, que é tão importante, fosse premiado. É uma alegria sem fim. Sem fim... Sem fim...Obrigada, obrigada, obrigada...
Com o amor de sempre, Elza Soares".
Elza Soares com Lídia Vasconcelos em Las Vegas.

 

quarta-feira, novembro 02, 2016

Gotas de Feminismo



terça-feira, outubro 04, 2016

OUTUBRO ROSA é comemorado em todo o mundo

Outubro Rosa

O movimento Outubro Rosa

O movimento conhecido como Outubro Rosa nasceu nos Estados Unidos, na década de 1990, para estimular a participação da população no controle do câncer de mama. A data é celebrada anualmente com o objetivo de compartilhar informações sobre o câncer de mama e promover a conscientização sobre a importância da detecção precoce da doença.
Desde 2010, o INCA participa do movimento, promovendo espaços de discussão sobre câncer de mama, divulgando e disponibilizando seus materiais informativos, tanto para profissionais de saúde quanto para a sociedade.

Campanha Outubro Rosa 2015

Em 2015, a campanha do INCA no Outubro Rosa tem como objetivo fortalecer as recomendações para o diagnóstico precoce e rastreamento de câncer de mama indicadas pelo Ministério da Saúde, desmistificando crenças em relação à doença e às formas de redução de risco e de detecção precoce.
Espera-se ampliar a compreensão sobre os desafios no controle do câncer de mama. Esse controle não depende apenas da realização da mamografia, mas também do acesso ao diagnóstico e ao tratamento com qualidade e no tempo oportuno. Ressalta-se ainda a necessidade de se realizar ações ao longo de todo o ano e não apenas no mês de outubro.
Os eixos da campanha são:
  • Divulgar informações gerais sobre câncer de mama.
  • Promover o conhecimento e estimular a postura de atenção das mulheres em relação às suas mamas e à necessidade de investigação oportuna das alterações suspeitas (Estratégia de Conscientização).
  • Informar sobre as recomendações nacionais para o rastreamento e os benefícios e os riscos da mamografia de rotina, possibilitando que a mulher tenha mais segurança para decidir sobre a realização do exame.

sábado, setembro 24, 2016

Entrevista com autora desse BLOG para o Caderno VIVER do Diário de Pernambuco

Reportagem Completa - com fotos - no caderno VIVER - Diário de Pernambuco em  22/11/2015 

A entrevista comigo está mais abaixo no final da reportagem





SOCIEDADE 

Uma nota pela igualdade: como as mulheres têm usado a música contra o machismo
Conteúdo machista e luta por igualdade de direitos duelam espaço e atenção em letras das composições nacionais
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·         Vídeo


Por: Luiza Maia - Diario de Pernambuco
Publicado em: 22/11/2015 20:00 Atualizado em: 22/11/2015 20:56

Feito com o

A cantora e atriz pernambucana Clarice Falcão, do Porta dos Fundos, riscou a cara de vermelho. Com um dos principais símbolos da vaidade feminina, o batom, convidou cerca de 60 mulheres para uma versão da cançãoSurvivor, da Destiny’s Child, banda que revelou a declaradamente feminista Beyoncé.

Clique no ícone vermelho sobre as imagens para assistir aos clipes

"Pensamos que ia ser bonito lidar com a contradição do batom vermelho. Tenho o direito de botar como quiser e de não botar. Ser mulher é muito difícil. No Porta, ninguém comenta se os meninos engordaram, estão bonitos ou feios. Com as meninas, é se comeriam ou não, está gostosa ou não, deve estar grávida, emagreceu, deve ser porque acabou o namoro", desabafa. A recifense alcançou 1,7 milhão de pessoas no YouTube, recebeu elogios, mas também despertou incômodo.

"Uma boa lavagem de roupa resolveria o problema dessas malucas", reclamou, na página do Facebook doDiario de Pernambuco, um internauta acostumado e acalentado por personagens como Amélia, a tal mulher de verdade exaltada por Mário Lago e Ataulfo Alves - e já ironizada pela roqueira (e feminista) baiana Pitty na canção Desconstruindo Amélia.




"Há músicas em que percebemos o machismo banalizado, aquele que praticamente passa batido, está naturalizado, e muitas vezes travestido de romantismo, mas é possível encontrar músicas que trazem afirmações de autonomia das mulheres", avalia a jornalista recifense Isabela Senra, autora da dissertaçãoCanções vadias: Mulheres, identidades e música brasileira de grande circulação no rádio.

A submissão feminina está tão arraigada socialmente que até Chico Buarque, chamado de intérprete da alma feminina, deslizou em Cotidiano ("Todo dia ela faz tudo sempre igual"), apesar de satirizar a obediência em Mulheres de Atenas. Defensor do respeito à mulher e ao negro, o rapper paulista Emicida despertou indignação com Trepadeira (Dei todo amor, tratei como flor, mas no fim era uma trepadeira). Em texto nas redes sociais, ele negou haver machismo nos versos.



Feito com o

Mulheres oprimidas, verbal e fisicamente, são maioria no cancioneiro, um reflexo da realidade vivida no Congresso Federal (onde tramita projeto de lei que dificulta o acesso ao aborto em caso de estupro), no mercado de trabalho (homens ganham cerca de 25% a mais, de acordo com o IBGE) e nas ruas (vítimas de abordagens invasivas, um mote para a campanha online #PrimeiroAssédio, deflagrada para publicizar relatos de abusos).

Na vida real e nas composições, as agressões interrompem vidas, como ressaltado no clipe Naija, da rapper Lurdez da Luz. Quase 5 mil mulheres são assassinadas no Brasil a cada ano e 179 relatam agressões através do telefone 180 por dia. Não à toa, a luta pelos direitos da mulher permeia a produção fonográfica e acompanha o fortalecimento do debate. Elza Soares tenta estimular a denúncia em Maria da Vila Matilde, faixa do primeiro disco de inéditas da carreira, enquanto Alcione disparou "Na cara que mamãe beijou, Zé Ruela nenhum bota a mão", no samba Maria da Penha.




Agressões e dificuldades enfrentadas cotidianamente pelas mulheres inspiram as músicas do pernambucano Poder Feminino Crew, formado por garotas de 17 a 24 anos. "Temos amigos que passam por isso. A violência não é só física. Nossas músicas mostram a realidade nua e crua e que não vamos ficar caladas", garante Bel Melo, de 19 anos.

Cantoras e compositoras de todos os gêneros têm feito barulho, literalmente. Baiana criada no Recife, Karina Buhr instiga as mulheres a não agir como capachos em Selvática. "É tudo tão natural pra gente nessa seara no machismo e do racismo que a gente se assusta com um monte de coisa quando passa a prestar atenção de maneira mais intensiva. Tem coisas totalmente absurdas em músicas antigas. Mas refletem um tempo, as de hoje refletem outro, a gente vai evoluindo junto. Demora muito, mas vai", acredita Karina.

No disco homônimo recém-lançado, ela subverte a idealização de homem perfeito em Eu sou um monstro("Hoje eu não quero falar de beleza/ Ouvir você me chamar de princesa"), estratégia já usada pela recifense Lulina, em Meu príncipe ("Meu príncipe arruma toda a casa/ Prepara minha comida/ Enquanto eu tô no botequim"), e por Karol Conká, em Que delícia ("Terminou? Agora lava a louça").  A rapper curitibana será atração do Baile da Proibida, junto com Anitta, no dia 9 de janeiro.

REFLEXÃO
Músicas cujas letras questionam o machismo contra a mulher na sociedade




No samba de breque, Elza interpreta uma personagem cansada dos maus tratos. "A mulher tem que ir para a rua gritar. Tem que participar de passeatas, tudo. O mundo está nas mãos da mulher. Nunca foi sexo frágil. Acho maravilhosa a força feminina", defende. Ela já sofreu preconceito – "lógico" -, mas diz ser mais fácil atualmente: "Antes, não podia denunciar. Estava arriscado ir à polícia e ficar presa, ser chamada de louca".




Em O defensor, um homem incentiva a mulher a denunciar o marido, do qual apanha, e largá-lo para morar com ele. Zezé di Camargo e Luciano chamam a atenção para o crime, mas reforça a ideia de fragilidade da mulher. Dois meses após o lançamento, Zezé, em meio às polêmicas da separação com Zilu, disse que "toda mulher feia merece ser traída" em uma brincadeira de mau gosto.




As irmãs Simone e Simaria (ex-Forró do Muído) descrevem um relacionamento com um rapaz que parecia "especial", embora a família da garota sempre tenha desconfiado dele. Lançam luz sobre a questão da violência contra as mulheres – no caso, física e mostrada de forma explícita no clipe, visualizado mais de 7 milhões de vezes. Ao fim, incentivam: "Não se cale. Denuncie. Ligue 180".




A morte da funkeira Amanda Bueno, da Jaula das Gostosudas, assassinada pelo noivo em abril, foi lembrada por MC Marcelly em Não se brinca com mulher. Na música de clipe forte, ela critica o agressor e tenta abrir os olhos da vítima. Desliza ao afirmar que a amiga está errada, defender que ela "não é uma qualquer" - como se outras merecessem - e até na vingança proposta - "te ver com outra pessoa".




Os oito versos do frevo do pernambucano Capiba cantado pelos foliões ébrios dos carnavais desde os anos 1970 são bastante didáticos é adequados à festa. A vanguarda da letra miúda também retrata a mudança de comportamento da mulher na sociedade e sinaliza a inserção no mercado de trabalho, ao dizer que acabou o tempo em que elas só espantavam galinhas e cuidavam dos filhos.

AGRESSÃO
Músicas cujo teor, mascarado por melodias contagiantes, é considerado agressivo às mulheres




A produtora Furacão 2000 foi multada em R$ 500 mil pela Justiça Federal do Rio Grande do Sul, por incitar a violência na música cantada por Naldinho & Bela. "A sanção faz com que se pense duas vezes antes de cometer a agressão. Dificilmente modifica a alma da pessoa, mas ele tende mudar o papel social, engolir o preconceito", analisa o historiador Marcos Pires Cordeiro, da Unesp, autor do artigo A naturalização da violência contra a mulher na música popular.




Antes de se dedicar ao golpel, Rodolfo era explorador do duplo sentido como compositor e vocalista do grupo de rock Raimundos e incentivou a relação com adolescentes em Me lambe. No início, promete respeitar a idade - Se ela der mole eu juro que eu não faço nada/ Dá cadeia e é contra o costume - mas desiste logo na segunda estrofe. Preso, alfineta a luta de classes: "o pai dela era doutor".




A dupla de brega-funk Metal e Cego respondeu a inquérito da Polícia Civil de Pernambuco aberto a pedido do Ministério Público estadual. O foco era investigar o estímulo à pedofilia e o descumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente nas letras de Posição da rã e Gostou, novinha?. Em São Paulo, MCs mirins como Pickachu e Pedrinho foram impedidos de fazer shows devido ao teor sexual das canções.




Uma das composições mais famosas de Zeca Pagodinho, Faixa amarela é uma declaração de amor, mas já adverte sobre a violência que o eu-lírico pode vir a cometer. No ano passado, Martinho da Vila fez uma alteração durante a gravação de Sambabook: Zeca Pagodinho. Em vez de vou lhe dar, cantou sem lhe dar. Durante o lançamento de Ser humano, em abril, ele reclamou da violência de gênero e do feminicídio.




O problema nem é chamar a mulher de indigesta. Afinal, "chantagista", talvez fosse mesmo. Mas entre ser desagradável e merecer um tijolo na testa há uma distância abissal. Noel Rosa não percebeu isso, assim como nos versos "O maior castigo que eu te dou/ É não te bater/ Pois sei que gostas de apanhar", escritos em 1937.

ENTREVISTA // MARIA AUREA SANTA CRUZ (autora do livro A musa sem máscara: Imagem da mulher na música popular brasileira)

Como o machismo se manifesta na música do início do século 20 e agora?
A música popular é um veículo muito poderoso e fala sobre o imaginário das pessoas. Tudo que acontecia em cada década era cantado. Naquele tempo, as mulheres não tinham espaço para fazer música, como para trabalhar, andar na rua, eram objetos possuídos pelo homem. O machismo se manifestava de uma forma romântica, fazendo delas santas, incorpóreas, estrelas e usando o marianismo da igreja pra dominá-las. Hoje, não tem isso. Mas, quando são machistas, é barra pesada, como Faixa amarela, de Zeca Pagodinho.

O que mudou na abordagem?
Outro paradigma está sendo quebrado, porque temos feministas militantes que são compositoras. Elas falam sobre o aborto, todo tipo de violência, modo de viver, denunciam, reivindicam direitos. Antigamente, as mulheres falavam, mas não eram tão fortes. As músicas de hoje vão direto na ferida, não têm censura, usam os mesmos termos e movimentos que os homens usam para falar mal delas. E mesmo as mulheres machistas hoje não pedem mais para apanhar.

Qual a importância de manter a vigilância com relação às músicas que incitam a violência?
Eu não sou a favor de nenhuma censura, mas acho que a vigilância tem que ser civil. Nós mesmas temos que vigilar, que é o que essas compositoras estão fazendo, denunciando, respondendo com músicas. Como sou da geração da época da ditadura, sou contra qualquer proibição. A própria sociedade está modificando e respondendo.