segunda-feira, julho 31, 2017

sábado, julho 29, 2017

Eliane de Grammont. Um marco decisivo no combate a violência contra a mulher

Em face de tanto feminicídio que vem acontecendo no Brasil reproduzo aqui artigo que escrevi nesse blog sobre o Feminicídio de Elianne de Grammont



Esse blog, pretende, de agora em diante, denunciar, sistematicamente, todo feminicídio que tivermos conhecimento, no pais inteiro.




Amélia de você
Lançada– 1977 / 1978
Elena de Grammont / Eliane de Grammont
Samba-canção
Intérpretes que gravaram em 1978: Ângela Maria e tb, Edith Veiga

Tentei mudar você
Não consegui e desisti porque
Você não tem mais jeito
Cansei de ser Amélia santa e boa
Que esquece que perdoa
Seus defeitos
A vida com você é uma loucura
Me deprime e me satura
Ser Amélia já era
Tentei mudar você
Não consegui não deu
Quem deve então mudar sou eu
Mas acontece que eu choro eu falo
Anoitece e eu me calo
Pra pensar só em você, cheia de amor
Seus erros, seus defeitos já não importam
Não tiro os olhos da porta
Para ver você entrar e me beijar
E toda encolhidinha nos seus braços
Não escondo e nem disfarço
Toda minha emoção
Tentei mudar você não consegui porque
Nasci para ser Amélia de você
Nasci para ser Amélia de você.


O que aconteceu com Eliane de Grammont?





Eliane de Grammont, autora da música e letra acima - feita em parceria com a mãe -  além de compositora era cantora na década de 70. Em 30 de março, de 1981, ela foi assassinada covardemente, quando se apresentava no palco de uma casa de show na capital paulista. O autor dos disparos, Lindomar Castilho, ex-marido da vítima – também cantor e compositor de boleros – e um dos maiores vendedores de discos do Brasil nos anos 70. Ele, inclusive,  foi consagrado em 1977, como campeão de vendas no México e na Califórnia.
Por essa época, Eliane o conheceu e daí começaram a namorar, até que, casaram em 1979 . O matrimônio, a fez abandonar a carreira profissional para, unicamente, se dedicar ao lar e cuidar da filha, fruto da união dos dois. Mas, o casamento não durou muito tempo. Eliane, aos 26 anos pediu a separação, o que Lindomar não aceitou de bom grado. Levantou, então, a suspeita de que ela o estava traindo, deixando-o, apenas, por ter um envolvimento extraconjugal com Carlos Randall, primo do cantor, o qual passara a acompanhá-la ao violão depois da separação, na medida em que ela voltou a fazer shows.
Três meses depois de separada, quando cantava no bar Belle Epoque, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, Eliane levou cinco tiros pelas costas, chegando uma bala,  a ferir também, o violonista Randhal e Lindomar foi preso em flagrante. 
Nos autos do processo, a premeditação de forma covarde e bárbara,  ficou comprovada, pois o homicida, antes de ir até a casa de show, onde a ex-mulher se apresentava, havia comprado além de um revólver calibre 38, balas do tipo "dundum", que ao perfurar a vítima explodem dentro do corpo, causando lesões intensas e irremediáveis.

A Repercussão do Homicídio

O crime gerou de imediato, grande comoção na sociedade paulistana, pois Eliane estava voltando à ativa e tinha grande receptividade do seu público, já sendo muito admirada como cantora, prenunciando uma carreira promissora pela frente.



Esse homicídio cruel, com requintes de perversidade, tornou-se um caso  emblemático em função da decisiva manifestação organizada pelo movimento feminista, mobilizado durante todo o julgamento, a fim de não deixar a impunidade mais uma vez prevalecer.
Acontece que, até aquela época, assassinatos da mulher por maridos ou companheiros, eram considerados pela lei penal, somente “crime de ação privada”. Por isso, nas decisões judiciais, o procedimento comum da defensoria do réu, se pautava em alegar “legítima defesa da honra”. Mas, esse artifício processual, aqui no Brasil, já não colava mais como antes, quando era, invariavelmente, aceito pelo juri, como o maior atenuante na absolvição e soltura do acusado. 
Porém, nesse caso específico, prevaleceu o veredito de condenação do réu por assassinato.  Tudo isso, graças à pressão dos grupos de mulheres, que vinham se disseminando pelos estados brasileiros. Então, a defesa do cantor, não satisfeita,  tentou outros meios de amenizar-lhe a culpa  resvalando para o “delito de ordem passional”  o qual, mediava a infidelidade conjugal como sendo o argumento principal. Alegou-se, então, ter sido o ciúme o motivo propulsor da "privação de sentidos" do réu, na ocasião exata do crime. Porém, o empenho coletivo das mulheres, já engajadas na luta feministas e combatendo, veementemente, a violência contra a mulher, transformou-se em um marco na história jurídica brasileira, ao conseguir sensibilizar a opinião pública e o juri, a condenar o  réu (no caso, um cantor extremamente famoso) por homicídio doloso.  A pena impingida  por meio de um júri popular, no dia 23 de agosto, de 1984, foram 12 anos de prisão. Apesar de tudo, Lindomar Castilho ficou preso, somente até 1988, quando obteve liberdade condicional.


Segunda Onda do Feminismo – Um divisor de águas


Contribuiu para essa mudança de mentalidade a “segunda onda do feminismo”, formada em meados de 60 nos Estados Unidos e Europa, passando ininterruptamente a acumular mais conquistas do que derrotas até que na década de 70, inicia de vez o processo organizativo das mulheres por quase o mundo inteiro. No cenário nacional, a exemplo de outros países, o novo feminismo começa com os grupos de reflexão (poucos, porém polêmicos e combativos). Segue daí por diante, uma trajetória ascendente de enfrentamento em defesa de direitos e autonomia plena da mulher. O movimento feminista deu uma guinada total na vida das mulheres estimulando a criação de ONGs Feministas, Associações Comunitárias de Defesa da Mulher, Fórum de Mulheres, Delegacias da Mulher, Coordenadorias e Conselhos Estaduais e Municipais dos Direitos da Mulher e Casas Abrigo das vitimas de violência em eminente perigo de morte.

Não pule fora desta luta,
Diga não a violência contra a mulher 
Vale aqui uma ressalva: a semente que germinou tudo o que agora existe e o mais que, ainda está por vir, para melhorar a qualidade de vida das mulheres e proteger seus direitos fundamentais, começaram com as campanhas que as mulheres empreenderam exigindo que a justiça fosse feita a todo custo, a começar pelo julgamento do crime contra Eliane e continuando, até então, em processo contínuo por tantas outras mulheres assassinadas, agredidas e violentadas e que deram visibilidade maior às ações e manifestações dos grupos feministas. 
Conquista do Movimento de Mulheres, Afinal Legalizada


Pra melhor esclarecer sobre a denominação de Maria da Penha dada à Lei n°11.340/06, promulgada em 7 de agosto de 2006, é bom saber quem é essa mulher.
Pois bem, a biofarmacêutica Maria da Penha é uma sobrevivente do morticínio tragíco e descomunal de mulheres – último estágio da violência conjugal. Foi agredida durante anos pelo então marido, Marco Antonio Herredia, que não satisfeito com as ofensivas atentou contra a vida dela por duas vezes. Em 1983, ele desfechou contra Maria da Penha um tiro nas costas deixando-a paraplégica.
Cabe aqui um parêntese: são incontáveis no Brasil as inúmeras vítimas desse grave drama que se mostra estatisticamente cada vez mais exorbitante. E tudo resulta de um machismo sem freio, que prima pela covardia sob a conivência da sociedade A característica primordial da criminosa brutalidade sexista, até então vigente, está amparada, antes de mais nada, na falsa suposição do poder absoluto do homem ante à submissão incondicional da mulher.
Voltemos, pois a Maria da Penha. Mesmo imobilizada a uma cadeira de rodas, ela jamais esmoreceu no seu objetivo de que a justiça fosse feita.
Daí em diante, lutou por anos e anos seguidos até conseguir que o seu agressor fosse condenado. Agora, tornou-se símbolo contra a violência doméstica.
Em 2001, dezoito anos após o atentado que a imobilizou para sempre numa cadeira de rodas, alcança uma grande vitória ao ver a Comissão Interamericana de Direitos Humanos responsabilizar o Brasil por omissão e negligência em relação à violência doméstica. Mas, somente em 2003 (exatamente 20 anos depois) o ex-marido de Maria da Penha, condenado pelo crime cometido, vai para a prisão.
Enfim, Maria da Penha é homenageada com a lei trazendo seu nome, não só por por sua batalha para dar um veredicto ao seu caso específico. Foi fundamental o trabalho incessante em busca da punição judicial finalizada na sentença condenatória. No entanto, seu esforço teve o reconhecimento merecido pelo combate que travou o tempo inteiro na aprovação dessa lei determinatória de normas jurídicas punitivas a todo e qualquer modo de violência contra a mulher brasileira. Destarte, durante a cerimônia aonde a lei foi afinal sancionada.
Assim, falou e disse essa cearense combativa :“Essa lei representa os primeiros passos na direção de um mundo onde homens e mulheres vivam harmoniosamente”.


A Casa Eliane de Grammont





O julgamento seguido de condenação pela morte de Eliane Grammont ficou como um marco decisivo no combate á violência contra a Mulher empreendida pelo movimento feminista nacional. No ano seguinte, em 1985, a cidade de São Paulo inaugurou a primeira Delegacia de Defesa da Mulher do Brasil. Em 09 de março de 1990, Luiza Erundina – primeira  mulher eleita prefeita da maior capital em densidade populacional do país, São Paulo – atendendo a uma solicitação do Movimento Feminista fundou uma casa de amparo às mulheres vítimas de seus companheiros,  dando a esse Centro de Referência o primeiro serviço público municipal do país nesse tipo de atendimento integral às mulheres nos casos de violência doméstica e sexual o nome de Eliane de Grammont. Lá é oferecido atendimento psicológico e de assistência social, como parte de uma política de prevenção e enfrentamento da violência contra as mulheres. Além de articular com outros serviços a construção de uma rede de atendimento às usuárias. Desta forma, tornou-se um modelo para implantação de serviços destes tipos em outras prefeituras, auxiliando na criação de centros semelhantes.

*Observação: Recebi um comentário de Adriana de Grammont solicitando que fosse feita a devida correção neste texto . Agradeço a gentileza da mensagem, ja foi feita a correção, e trancrevo abaixo, o texto original, que diz aonde eu errei, já enviando de imediato minhas desculpas pela falha na informação:

"Somente para retificar que a autoria da música "Amélia de você" é de Elena de Grammont (mãe da Eliane) e não irmã como estão informando no texto. Agradeceria se vcs fizessem esta correção. Parabéns pela matéria!!Um abraço,Adriana de Grammont 10 de Julho de 2009 21:18"

quarta-feira, julho 26, 2017

Memória Histórica das Mulheres - Dia Nacional de Tereza Benguela



Uma mulher que tornou-se símbolo de liderança, força e luta pela liberdade. Apesar de sua história ter sido pouco divulgada durante um longo período, hoje seu legado é cada vez mais reconhecido. Tereza de Benguela é um ícone da resistência negra no Brasil Colonial. Sua trajetória remonta ao século XVIII, quando Vila Bela da Santíssima Trindade era a primeira capital de Mato Grosso.

Rainha Tereza”, como ficou conhecida em seu tempo, viveu nesta região do Vale do Guaporé. Após a morte do marido, passou a liderar a comunidade, resistindo bravamente à escravidão por mais de 20 anos. Tereza comandou a estrutura política, econômica e administrativa da comunidade, enfrentando diversas batidas da Coroa Portuguesa. Teresa de Benguela sobreviveu até meados da década de 1770, quando o quilombo foi destruído pelas forças do então governador da capitania.

A história de Tereza de Benguela demorou a ganhar projeção. No entanto, passados quase 250 anos, o reconhecimento começa a aparecer. Uma lei aprovada em 2014 institui 25 de julho como o Dia Nacional de Teresa de Benguela e da Mulher Negra. Motivo de orgulho para os habitantes de toda a região e porque não, de todo o País.

Texto orginalmente publicado no globo.com -http://gshow.globo.com/TV-Centro-America/E-Bem-MT/noticia/2015/03/conheca-historia-de-tereza-de-benguela-um-heroina-negra.html

segunda-feira, julho 17, 2017

domingo, julho 16, 2017

Desconstruindo Amélia(s) Uma Nova Mulher

Desconstruindo Amélia

Já é tarde, tudo está certo
Cada coisa posta em seu lugar
Filho dorme ela arruma o uniforme
Tudo pronto pra quando despertar
O ensejo a fez tão prendada
Ela foi educada pra cuidar e servir
De costume esquecia-se dela
Sempre a última a sair...

Disfarça e segue em frente
Todo dia até cansar
Uooh!
E eis que de repente ela resolve então mudar
Vira a mesa
Assume o jogo
Faz questão de se cuidar
Uooh!
Nem serva, nem objeto
Já não quer ser o outro
Hoje ela é um também.

A despeito de tanto mestrado
Ganha menos que o namorado
E não entende porque
Tem talento de equilibrista
Ela é muita se você quer saber
Hoje aos 30 é melhor que aos 18
Nem Balzac poderia prever
Depois do lar, do trabalho e dos filhos
Ainda vai pra nigth ferver.

Disfarça e segue em frente
Todo dia até cansar
Uooh!
E eis que de repente ela resolve então mudar
Vira a mesa
Assume o jogo
Faz questão de se cuidar
Uooh!
Nem serva, nem objeto
Já não quer ser o outro
Hoje ela é um também
Uuh!

Disfarça e segue em frente
Todo dia até cansar
Uooh!
E eis que de repente ela resolve então mudar
Vira a mesa
Assume o jogo
Faz questão de se cuidar
Uooh!
Nem serva, nem objeto
Já não quer ser o outro
Hoje ela é um também.

Essa música soa como uma canção de protesto contra uma imagem estereotipada da mulher - amélia que acompanhou a nós mulheres durante grande parte do século 20, quando a sociedade machista, patriarcalista, misógina e androcêntria, através de toda forma de comunicação como foi, nesse caso, a mensagem passada pela música popular "Saudades da Amélia", a qual, insinuava com o maior descaramento e de forma taxativa que não deveriamos ter outro sentido na vida a não ser conservar o status de mulher casada, obediente ao marido e disposta a manter o casamento a qualquer custo. 
Para tanto, a esposa perfeita deveria ser o exemplo máximo de dedicação ao marido e, pouco se importar com o que isso poderia lhe advir de sofrimento, perda de identidade social além do enfraquecimento do seu ego. Tudo em razão da falta de amor próprio, característica primordial de todas as esposas amélias - mulher de verdade cujo perfil traçado era de terem  as carateríticas "femininas"  generalizadas a todas as mulheres.
E assim,  os homens davam a entender serem os seguintes traços de personalidade essenciais e necessárias à mulher casada como ser submissa, desprovida de  vontade própria, obediente e dependentes totalmente do marido. Enquanto na década de 40, esse era o modelo perfeito de mulher, ao ponto da tal da Amélia ter feito um sucesso estrondoso por décadas e décadas seguidas, as feministas embolaram o meio de campo para a partir de meados 75 já  estarem com a bola toda, driblando o adversário, escanteando dona Amélia pro banco de reserva,  colocando na linha de frente uma xará, pra enfim, bater bater penalti e fazer o gol da virada do século na voz firme e destemida da compositora e cantora Pitty, da música e letra acima que revela  a nova mulher do século 21.

quinta-feira, julho 06, 2017

06-07-2017 Lançamento de livro sobre mulheres migrantes em João Pessoa - PB



Para comemorar os 10 anos de residência e resistência do Café Flor de Linz, na cidade de Linz, na Áustria, a dona da cafeteria decide escrever um livro sobre os momentos mais marcantes vivenciados lá. Histórias desnudas da experiência de se viver sob o manto ou entre a cerca da migração. Em cada capítulo há uma protagonista, uma mulher migrante brasileira chamada, carinhosamente, de alguma flor. São histórias recheadas de saudades, de sensação de pertencimento e exclusão, de resiliência, deconstruções e, sobretudo, de sonhos e de amores. Ao Café Flor de Linz chegam, diariamente, malas abarrotadas de lembranças, carregadas de esperanças e cheinhas de desejo de que tudo dê certo. Migrar! Esse verbo é transitivo e de ligação. Mas até que porto vale a pena prosseguir viagem? Às vezes há de se atravessar um oceano para encontrar o que se procura. Só indo para querer voltar. Só indo para ter a certeza de por lá querer ficar. Só indo para querer seguir a velejar, neste mar de flores migratórias apreciáveis, comestíveis e alucinógenas! Só indo, porque o que flor, será! As histórias são baseadas em fatos reais vivenciados pela autora ou por ela fantasiados a partir de sua experiência como mulher negra, migrante e mãe.

quarta-feira, junho 28, 2017

Feminismo VóVlogueira com Maria Aurea Santa Cruz - Feminismo, Assédio e Violência Contra a Mulher

O primeiro vídeo da avó mais cool do Brasil sai hoje as 20h! Nesse canal a gente vai falar sobre assuntos tabus de uma forma descontraída. O nosso objetivo é trazer essas discussões pro nosso dia a dia. Nesse primeiro vídeo vamos falar sobre Feminismo, Assédio e Violência Contra a Mulher!
 Produção: Carolina Ferrari e Carol Lemos

domingo, junho 25, 2017

Crônica de Lima Barreto Sobre Feminicídio - Publicada em 1915

NÃO AS MATEM

Esse rapaz que, em Deodoro, quis matar a ex-noiva e suicidou-se em seguida, é um sintoma da revivescência de um sentimento que parecia ter morrido no coração dos homens: o domínio, quand même, sobre a mulher.
O caso não é único. Não há muito tempo, em dias de carnaval, um rapaz atirou sobre a ex-noiva, lá pelas bandas do Estácio, matando-se em seguida. A moça com a bala na espinha, veio morrer, dias após, entre sofrimentos atrozes.
Um outro, também, pelo carnaval, ali pelas bandas do ex-futuro Hotel Monumental, que substituiu com montões de pedras o vetusto Convento da Ajuda, alvejou a sua ex-noiva e matou-a.
Todos esses senhores parece que não sabem o que é a vontade dos outros.
Eles se julgam com o direito de impor o seu amor ou o seu desejo a quem não os quer. Não sei se se julgam muito diferentes dos ladrões à mão armada; mas o certo é que estes não nos arrebatam senão o dinheiro, enquanto esses tais noivos assassinos querem tudo que é de mais sagrado em outro ente, de pistola na mão.
O ladrão ainda nos deixa com vida, se lhe passamos o dinheiro; os tais passionais, porém, nem estabelecem a alternativa: a bolsa ou a vida. Eles, não; matam logo.
Nós já tínhamos os maridos que matavam as esposas adúlteras; agora temos os noivos que matam as ex-noivas.
De resto, semelhantes cidadãos são idiotas. É de supor que, quem quer casar, deseje que a sua futura mulher venha para o tálamo conjugal com a máxima liberdade, com a melhor boa-vontade, sem coação de espécie alguma, com ardor até, com ânsia e grandes desejos; como e então que se castigam as moças que confessam não sentir mais pelos namorados amor ou coisa equivalente?
Todas as considerações que se possam fazer, tendentes a convencer os homens de que eles não têm sobre as mulheres domínio outro que não aquele que venha da afeição, não devem ser desprezadas.
Esse obsoleto domínio à valentona, do homem sobre a mulher, é coisa tão horrorosa, que enche de indignação.
O esquecimento de que elas são, como todos nós, sujeitas, a influências várias que fazem flutuar as suas inclinações, as suas amizades, os seus gostos, os seus amores, é coisa tão estúpida, que, só entre selvagens deve ter existido.
Todos os experimentadores e observadores dos fatos morais têm mostrado a inanidade de generalizar a eternidade do amor.
Pode existir, existe, mas, excepcionalmente; e exigi-la nas leis ou a cano de revólver, é um absurdo tão grande como querer impedir que o sol varie a hora do seu nascimento.
Deixem as mulheres amar à vontade.
Não as matem, pelo amor de Deus!
Vida urbana, 27-1-1905
Autor será o homenageado da FLIP- Festa Literária de Paraty, nesse ano de 2017

quarta-feira, junho 14, 2017

ANÁLIA FRANCO - A EDUCADORA E SEU TEMPO




* Anália Franco é escolhida para Patrona da Feira do Livro de Resende.
- A professora e escritora Eliane de Christo lançou livro sobre a educadora, que nasceu em Resende em 1853.

A FLIR (Feira do Livro de Resende), que terá sua terceira edição em junho de 2017, anunciou o nome esperado para a patrona do evento.
Anália Franco, conhecida pelo seu trabalho na educação brasileira, será a grande homenageada da FLIR.
Nascida em 1856, na cidade de Resende, Rio de Janeiro, Anália Franco Bastos, mais conhecida como Anália Franco, após passar em um concurso da Câmara de SP, diploma-se como Normalista, aos 16 anos de idade, exercendo o cargo de professora primária. Já se notava como excelente literata, jornalista e poetisa, entretanto após a Lei do Ventre Livre, sua verdadeira vocação se exteriorizou.
Trocou seu cargo na Capital de São Paulo por outro no interior, a fim de socorrer criancinhas necessitadas. Anália aluga uma fazenda e inaugura a primeira “Casa Maternal”, atendendo a todas as crianças que lhe batiam à porta, levadas por parentes ou apanhadas nas moitas e desvios dos caminhos. A fazendeira, vendo que a sua casa, se transformara num albergue de “negrinhos”, resolveu acabar com aquele “escândalo” em sua fazenda.
Sem muitos recursos, Anália aluga uma casa na cidade junto ao seu grupo, que ela chamava em seus escritos de “meus alunos sem mães”, anuncia que, ao lado da escola pública, havia um pequeno “abrigo” para as crianças desamparadas, o que enche a cidade de curiosos. Moça e magra, modesta e altiva, aquela impressionante figura de mulher, que mendigava para filhos de escravas, tornou- se um escândalo. Mas rugiu a seu favor um grupo de abolicionistas e republicanos, contra o grande grupo de católicos, escravocratas e monarquistas.
Em SP, entra para o grupo abolicionista e republicano, porém sua missão não era a política e sim, com as crianças desamparadas, levando-a a fundar uma revista própria – “Álbum das Meninas”, em abril de 1898. O advento dessa nova era encontrou Anália com dois grandes colégios gratuitos para meninas e meninos. Logo se une à vinte senhoras amigas, fundando o instituto educacional “Associação Feminina Beneficente e Instrutiva”.
A partir daí, criou muitas “Escolas Maternais” e “Escolas Elementares”, além do “Liceu Feminino”, com a finalidade de instruir e preparar professoras para suas escolas. Em 1903, passou a publicar “A Voz Maternal”, revista mensal com a apreciável tiragem de 6 mil exemplares, impressos em oficinas próprias.
Era romancista, escritora, teatróloga e poetisa. Escreveu uma infinidade de livretos para a educação das crianças e para escolas, os quais são dignos de serem adotados nas escolas públicas. Escreveu três romances: “A Égide Materna”, “A Filha do Artista”, e “A Filha Adotiva”, além de peças de teatro. Era espírita fervorosa, revelando sempre inusitado interesse pelas coisas atinentes à Doutrina Espírita.
Em 1911 conseguiu, sem qualquer recurso financeiro, a “Chácara Paraíso”. Onde fundou a “Colônia Regeneradora D. Romualdo”, onde ficavam os garotos aptos para a lavoura, a horticultura e outras atividades agropastoris, recolhendo ainda moças desviadas, conseguindo assim regenerar centenas de mulheres. Seu desencarne foi em 1919, quando ia ao Rio de Janeiro para fundar mais uma instituição, que posteriormente se concretizada por seu esposo, que ali fundou o “Asilo Anália Franco”.
A sementeira de Anália Franco consistiu em 1971, 2 albergues, 1 colônia regeneradora para mulheres, 23 asilos para crianças órfãs, 1 banda musical feminina, 1 orquestra, 1 grupo dramático, além de oficinas para manufatura de chapéus, flores artificiais, etc., em 24 cidades do Interior e da Capital.
ANÁLIA FRANCO NA FLIR



Na FLIR, Anália Franco será homenageada através de uma exposição na entrada do evento contando sua trajetória de vida e mostrando através de fotografias como era sua vida naquela época. Também estará a venda o livro Anália Franco a educadora e seu tempo, onde a Editora Comenius tem o prazer de oferecer aos leitores duas visões, duas pesquisas, duas autoras, num só livro, sobre uma só mulher.
As autoras são Eliane de Christo, jornalista e Psicanalista e Samantha Lodi, formada em Comunicação Social e doutora em Educação pela Unicamp. "Para nós, há uma urgência de darmos voz a figuras históricas que estiveram à frente de seu tempo e agiram para transformar o mundo. Num momento em que as pessoas se desiludem da ação, sentem-se impotentes diante de um contexto complexo e de problemas graves que atingem a sociedade, é bom nos inspirarmos em humanistas que se envolveram em grandes projetos.É o caso de Anália Franco.
Numa época em que mulheres não tinham nenhuma participação social no Brasil e ainda pouquíssimas conquistas no mundo - em que a maioria entre nós era analfabeta, sem direito a voto, sem direito ao trabalho remunerado; num contexto em que negros eram considerados “raça inferior”, primeiro escravos e depois, excluídos do projeto político de se fazer a nação brasileira; numa sociedade em que a religião hegemônica era o Catolicismo conservador – essa educadora brasileira atuou fortemente para que crianças e mulheres tivessem acesso à educação, independente de credo, de raça e de classe social. Ela buscou, com seu projeto, uma luta igualitária, de quem acreditava na liberdade e pôs em prática um projeto de resgate da dignidade dos mais excluídos." coloca as autoras.
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O quê: FLIR - Feira do Livro de Resende
Data: junho de 2017
Local: Parque de Exposições de Resende, Resende-RJ
Acesso: Gratuito
Look Mídia| www.lookmidia.com.br 
contato@lookmidia.com.br




quinta-feira, junho 08, 2017

MULHERES QUE SE RESSALTARAM NA HISTORIA MUNDIAL


São 500 biografias que a Plataforma Wikimina levantou sobre as mulheres que mudaram a historia  com seus inventos e e suas atuações. E mesmo assim, foram invisibilizadas - e na maioria das vezes, por um longo tempo.

Wikimina resgata 500 biografias de mulheres que mudaram o mundo

POR NATHALIA ZACCARO 
Por que é tão mais fácil citar nomes de homens lembrados por mudarem o mundo do que de mulheres? Tá na cara que o mundo não foi evoluiu só na base da testosterona. Porém, a falta de representatividade feminina em diversas áreas alimenta a ideia de que sim. Tal constatação motivou a galera do Flama, um estúdio de design de Brasília, a pesquisar e reunir 500 mulheres incríveis, do passado e do presente, cada uma delas representada por uma  pequena bolinha cor de rosa em um gráfico organizado em dois eixos: período histórico e área de atuação. Esse trabalho deu origem ao Wikimina, uma plataforma online lançada em abril com a ideia de dar visibilidade à essas muitas mulheres que são referência em diversas esferas, mas quase ninguém lembra que existiram tampouco de citá-las. “Foram três meses de pesquisas para levantar os nomes que incluímos no projeto”, conta Lucas Coelho, um dos fundadores do Flama.

Marianne Beth, advogada feminista do início do séculoImagem: Wikimedia Commons
Ada Lovelace - 1815 /1852 - Inglaterra      Imagem: Wikimedia Commons
71 horas foi o tempo que Valentina passou no espaço, dentro da da espaçonave Vostok VI. Em 1963, ela entrou para a história como a primeira cosmonauta a sair do planeta sozinha. Hoje, aos 80 anos,  ainda é uma figura pública ativa na cenário político russo.


Gray ajudou a dar forma ao modernismo na arquitetura e no design. Foi reconhecida internacionalmente por seu trabalho, feito inédito para uma mulher do início do século. Em 1929, projetou uma das casas mais famosas do século 20, a E1027, que influenciou grandemente a obra de Le Corbusier. Bissexual, aventureira e destemida, foi uma mulher inspiradora.

Série UNESCO: Grandes Mulheres da História Africana



Este livro sobre a Rainha Njinga Mbandi está imperdível e tem tudo a ver com o Brasil e Angola. 


Aqui tem o PDF em português para quem quiser baixar!
http://unesdoc.unesco.org/images/0023/002309/230931POR.pdf

MULHERES ARTISTAS: ELAS ESTÃO NA LUTA: #FORA TEMER - #DIRETAS JÁ






E TEM MUITAS MAIS NESSA LUTA!!!!!!

Fonte: Faceboock de Ana Liési Thurler

sábado, abril 22, 2017

Carolina Maria de Jesus, favelada e negra é uma das grande escritora do nosso país

Carolina Maria de Jesus (1914-1977) nasceu em SacramentoMinas Gerais, numa comunidade rural onde seus pais eram meeiros. Moradora da favela do Canindézona norte de São Paulo, ela trabalhava como catadora e registrava o cotidiano da comunidade em cadernos que encontrava no lixo. Ela é considerada uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil.
Aos sete anos, a mãe de Carolina forçou-a a frequentar a escola depois que a esposa de um rico fazendeiro decidiu pagar os estudos dela e de outras crianças pobres do bairro. Carolina parou de frequentar a escola no segundo ano, mas aprendeu a ler e a escrever. A mãe de Carolina tinha dois filhos ilegítimos, o que ocasionou sua expulsão da Igreja Católica quando ainda era jovem. No entanto, ao longo da vida, ela foi uma católica devota, mesmo nunca tendo sido readmitida na congregação. Em seu diário, Carolina muitas vezes faz referências religiosas.
Em 1937, sua mãe morreu e ela se viu impelida a migrar para a metrópole de São Paulo. Carolina construiu sua própria casa, usando madeira, lata, papelão e qualquer coisa que pudesse encontrar. Ela saía todas as noites para coletar papel, a fim de conseguir dinheiro para sustentar a família.
Quando encontrava revistas e cadernos antigos, guardava-os para escrever em suas folhas. Começou a escrever sobre seu dia-a-dia, sobre como era morar na favela. Isto aborrecia seus vizinhos, que não eram alfabetizados, e por isso se sentiam desconfortáveis por vê-la sempre escrevendo, ainda mais sobre eles.
Carolina mudou-se para a capital paulista em 1947, num momento em que surgiam as primeiras favelas na cidade. Apesar do pouco estudo, tendo cursado apenas as séries iniciais do primário, ela reunia em casa mais de 20 cadernos com testemunhos sobre o cotidiano da favela, um dos quais deu origem ao livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, publicado em 1960. Após o lançamento, seguiram-se três edições, com um total de 100 mil exemplares vendidos, tradução para 13 idiomas e vendas em mais de 40 países.
Teve vários envolvimentos amorosos quando jovem, mas sempre se recusou a casar-se por ter presenciado muitos casos de violência doméstica. Preferiu permanecer solteira. Cada um dos seus três filhos era de um pai diferente, sendo um deles um homem rico e branco. Em seu diário, ela detalha o cotidiano dos moradores da favela e, sem rodeios, descreve os fatos políticos e sociais que via. Ela escreve sobre como a pobreza e o desespero podem levar pessoas boas a trair seus princípios simplesmente para assim conseguir comida para si e suas famílias.
O diário de Carolina Maria de Jesus foi publicado em agosto de 1960. Ela foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, em abril de 1958. Dantas cobria a abertura de um pequeno parque municipal. Imediatamente após a cerimônia, uma gangue de rua chegou e reivindicou a área, perseguindo as crianças. Dantas viu Carolina de pé na beira do local gritando "Saiam ou eu vou colocar vocês no meu livro!" Os intrusos partiram. Dantas perguntou o que ela queria dizer com aquilo. Ela se mostrou tímida no início, mas levou-o até o seu barraco e mostrou-lhe tudo. Ele pediu uma amostra pequena e correu para o jornal. A história de Carolina "eletrizou a cidade" e, em 1960, Quarto de Despejo, foi publicado.
A tiragem inicial de 10 mil exemplares se esgotou em uma semana (segundo a Wikipédia em inglês, foram trinta mil cópias vendidas nos primeiros três dias). Seu diário foi traduzido para treze idiomas e tornou-se um best-seller na América do Norte e na Europa. Mas não foram somente fama e publicidade que Carolina ganhou com a publicação de seu diário: despertou também o desprezo e a hostilidade de seus vizinhos, pois, em seu livro, Carolina fala das dificuldades e amarguras da vida na favela. "Você escreveu coisas ruins sobre mim, você fez pior do que eu fiz", gritou um vizinho bêbado. Chamavam-a de prostituta negra, que havia se tornado rica por escrever sobre a favela, mas que se recusava a compartilhar o dinheiro. Muitas pessoas jogavam pedras e penicos cheios nela e em seus filhos. A raiva dos vizinhos também teria sido motivada pela mudança de endereço de Carolina, para uma casa de tijolos nos subúrbios, o que foi possível com os ganhos iniciais da publicação. Vizinhos se juntaram ao redor do caminhão de mudança e não a deixavam partir.
A filha de Carolina, Vera Eunice, hoje professora, contou, em entrevista, que sua mãe aspirava a se tornar cantora e atriz.[1]
Carolina Maria de Jesus morreu em 1977 de insuficiência respiratória, aos 62 anos, pobre e esquecida.
Carolina jamais se resignou às condições impostas pela classe social a qual pertencia. Em uma vizinhança com alto nível de analfabetismo, saber escrever era uma conquista excepcional. Um dos temas abordados em seu diário foram as pessoas do seu entorno. A autora descrevia a si mesma como alguém muito diferente dos outros favelados, e afirmava “que detestava os demais negros da sua classe social”.[carece de fontes]
Ao ver muitas pessoas do seu círculo social sucumbirem às drogasálcool, prostituição, violência e roubo, Carolina lutou para se manter fiel à escrita, e aos filhos, a quem sustentava com latas de comida e roupa que encontrava no lixo, além de vender lixo reciclável. Parte do papel que recolhia era guardado para poder continuar escrevendo.
Escreveu e publicou alguns livros após Quarto de Despejo, porém sem muito sucesso. Seu auge e decadência como figura pública foram fugazes. Isso possivelmente ocorreu devido à sua personalidade forte, que a afastava de muita gente, além da drástica mudança no panorama político brasileiro, a partir do Golpe de Estado no Brasil em 1964, que marginalizaria qualquer manifestação popular.
Além disso, Carolina também escreveu poemascontos e diários breves, embora estes nunca tenham sido publicados. A edição de 1977 do Jornal do Brasil trazia, no obituário da autora, comentários sobre ela supostamente se culpar por não ter sabido aproveitar a sua breve fama, e afirmava que ela havia morrido pobre devido à sua teimosia. Sua história, contudo, continua relevante para a compreensão da condição de vida nas favelas brasileiras da época.
Seu livro foi amplamente lido, tanto na Europa ocidental capitalista e nos Estados Unidos, como nos países do bloco socialista, o chamado bloco oriental e Cuba.
Para o ocidente liberal, seu primeiro livro retratava um sistema cruel e corrupto reforçado durante séculos por ideais colonizadores presentes nas dinâmicas sociais da população, onde o Estado não atuava da maneira correta para reparar tais erros. Já para os leitores comunistas, suas histórias representavam perfeitamente como o Estado se mostrou falho ao longo dos anos no Brasil, colocando em xeque se o mesmo é capaz de organizar as relações sócio-econômicas presentes no dia a dia.
Fonte:Wikipédia, a enciclopédia livre.
Fonte: Universidade Livre Feminista